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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Robinho nunca pegou um livro na biblioteca e não faz atividades de laborterapia (abordagem terapêutica para tratar problemas psicológicos e mentais) desde que foi levado para a Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo, em abril de 2024. A principal atividade do ex-jogador é jogar bola.
O relato é de agentes penitenciários ouvidos pela reportagem. Eles acompanham a rotina do atacante que já vestiu as camisas de Santos, Real Madrid e seleção brasileira e cumpre sentença de nove anos de prisão pelo crime de estupro coletivo, cometido na Itália, em 2013.
Desde que foi integrado à massa carcerária, ele rapidamente se enturmou com os detentos que organizam os jogos dentro da unidade e passou a fazer do futebol seu principal passatempo. Até ganhou um par de chuteiras e virou a atração principal do campo de terra batida da penitenciária.
Também tem feito amizades com outros encarcerados. Robinho é frequentemente visto conversando com João Gilberto Corognotto, conhecido magnata do café, preso sob acusação de envolvimento com o PCC. Eles possuem residência no mesmo condomínio no Guarujá, no litoral paulista.
Quando está no pavilhão dormitório, costuma ficar dentro da cela e conversa muito com Sérgio Freitas, ex-prefeito de Igarapava, condenado a 30 anos de prisão em regime fechado pela morte de seu antecessor na prefeitura, Gilberto Soares dos Santos, o Giriri, em 1998.
Sua fama na penitenciária, porém, também desperta inveja. Segundo os agentes ouvidos pela reportagem, o ex-atleta tem desavenças frequentes com Thiago Brennand. O empresário, preso em julho de 2024, tem três condenações que somam 20 anos de prisão em regime fechado por crimes sexuais e agressão física.
De acordo com os relatos do agentes, Robinho e Brennand disputam a atenção da população carcerária e sempre trocam provocações sobre seus bens, viagens e situações que viveram fora da prisão. Procurado pela reportagem, o advogado Roberto Podval, que representa Brennand, disse não ter conhecimento sobre o tema e que não falaria sobre a vida de seu cliente na prisão.
Apesar dos atritos com Brennand, a Polícia Penal do Estado de São Paulo informou que Robinho tem tido um bom comportamento na prisão. Em nota enviada à reportagem no último dia 21, quando o ex-atleta completou um ano preso, o órgão destacou, ainda, que ele participa de atividades físicas e concluiu os dez módulos do Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania.
Os agentes ouvidos pela reportagem, contudo, destacaram que ele também prestou o Encceja (Exame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos) e foi reprovado na disciplina de matemática.
Também contaram que ele participa dos cultos evangélicos, cujo pastor é seu conhecido e só começou a ministrar na unidade prisional depois que o Robinho foi levado para lá.
Aos finais de semana, quase sempre ele recebe visitas de sua esposa e dos filhos. A lista de quem já foi ao presídio para vê-lo não é divulgada pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), mas já houve quem manifestasse publicamente seu desejo de visitá-lo, como o ex-técnico Emerson Leão.
Técnico do Santos quando Robinho ajudou a equipe a conquistar o Campeonato Brasileiro de 2002, Leão afirmou em fevereiro, ao site ge.com, que gosta muito do ex-jogador, tem diálogo com ele e espera apenas por uma autorização do presídio para visitá-lo. Isso, porém, não deve ocorrer porque somente parentes de primeiro grau (pais, cônjuges e filhos) podem fazer visitas.
Além de seus familiares, o ex-jogador é visitado também por seus advogados, que buscam recursos no STF (Superior Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça) com o objetivo de modificar a pena determinada pelos tribunais italianos, sob o argumento de que há diferença nas legislações dos dois países e que a dosimetria deveria ser adaptada ao que diz a lei penal brasileira.
Com a reforma de sua sentença, além de reduzir a pena baseado no comportamento dentro da prisão, o ex-atleta espera, ao menos, passar para o regime semiaberto em breve.
Na sexta-feira (28), o STF começou a analisar um dos recursos da defesa. Os advogados insistem na suspensão do cumprimento da pena. O relator, Luiz Fux, votou para rejeitar o pedido. O julgamento ocorre no plenário virtual e está programado para durar até a próxima sexta-feira.
A defesa do ex-jogador, liderada pelo advogado José Eduardo Alckmin, com escritório principal em Brasília, não atendeu ligações, nem respondeu mensagens para comentar a rotina dele na prisão, nem sobre o recurso que busca no STF.
Ídolo do Santos e jogador da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 2006 e 2010, ele sempre negou que tenha cometido o crime. Pouco antes de ser preso, em março de 2024, ele chegou a publicar um vídeo em suas redes sociais no qual mostrava fotos e prints que, segundo ele, comprovariam sua inocência.
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